Saúde pública em Divinópolis: Para onde vão os casos que não são considerados graves?
- Intercomunicação

- 17 de set. de 2018
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Por: acsa alves

Quarta-feira, 25 de julho, Vitória Karolayne (20) moradora da cidade de Divinópolis há apenas 1 ano e meio, começa a passar mal em sua residência. Quando percebe que, o que sentia poderia ser mais sério do que imaginava, conta que sua primeira opção foi recorrer a Unidade de Pronto Atendimento – UPA da cidade, “A verdade foi que, eu passei muito mal o dia inteiro. A noite, as dores se intensificaram e eu passei a sangrar muito, a ter hemorragia. Logo pensei em ir para a UPA”.
A única unidade da UPA na cidade de Divinópolis, em um primeiro momento, deveria atender casos considerados graves. Por ser um local de Pronto Atendimento, conta com a capacidade máxima de em torno de 350 atendimentos por dia e 25 internações. Contudo, como foi apurado em abril deste ano pelo jornal MGTV, a UPA se tornou uma espécie de micro hospital. A situação acabou se agravando no final do ano passado, quando houve um atraso no pagamento dos funcionários que ali trabalhavam – havia um acordo prévio entre a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) com os profissional, porém esse acordo não foi cumprido, como relatou na época o superintendente da UPA, José Geraldo Pereira, ao Portal Centro-Oeste –, além do atraso para a compra de matérias hospitalares básicos. A situação atinge a população Divinopolitana, e aos novos moradores, em suma estudantes como Vitória, que por sua vez acabou não conseguindo ser atendida no dia que teve que recorrer ao sistema público de saúde. “Eu saí de casa rumo a UPA ás 21h e cheguei em casa ás 1h40, sem atendimento. Eu lembro de ouvir minha irmã, muito nervosa, dizendo “um lugar deste tamanho, não tem uma maca para ela ficar? Este senhor teve que levantar da cadeira de rodas para ela sentar!”
O caso de Vitória se mistura também com o de Brunna Luiza, também recém domiciliada em Minas Gerais. “Eu estava com suspeita de infecção no rim – o que é recorrente – e comecei a sentir dor. Eu não tinha a carteira do convenio comigo aqui em Divinópolis, então eu teria que usar o serviço público”. Entretanto, assim como aconteceu com Vitória Karolayne, por seu caso não ser considerado grave, Brunna mesmo ficando cerca de 6 horas esperando, não conseguiu atendimento, “Eu cheguei na UPA 14h30, passei pela triagem e meu caso não foi considerado urgente. Eu fui ser atendida pelo médico 20h30 da noite”. A situação ainda se agrava se for levado em conta que, em ambos os casos as pacientes voltaram para casa com dores, já que, como relatam, nem medicação os médicos prescreveram.
A situação da saúde pública em Divinópolis chega a assustar quem se muda para a cidade, segundo conta Cláudia Costa, moradora do município do centro-oeste mineiro a cerca de duas semanas, “Eu morava em São Paulo, e era um pouco diferente daqui. Quando estava fazendo a mudança, me disseram para arrumar tudo em São Paulo, porque aqui é tudo pago. Se eu precisar de uma consulta, acho que vou ter que pagar né? Vai ter que ser particular”. Já Vitória, descreve sua experiência com a saúde pública em Divinópolis como sendo uma situação de descaso com a população, “Nem na minha cidade, que é muito menor, eu passei por isso”.
Ao entrar em contado com a UPA e com o Semusa, as respostas para as indagações que foram feitas sobre a situação financeira da unidade e que o se diz respeito a transferência dos casos que não são considerados graves, não foram respondidas.




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