Alimentação Universitária: Estudantes da UEMG - Divinópolis criam o Rango, cozinha coletiva
- Intercomunicação

- 16 de out. de 2018
- 4 min de leitura
Iniciativa é uma alternativa à falta do Restaurante Universitário na Unidade.
Por: Anna Flavia Alves e Yasmin Oliveira

O restaurante universitário, mais conhecido como RU, é um dos direitos dos estudantes de universidades públicas. O R.U conta como apoio a assistência estudantil, ou seja, são em sua maioria mais baratos que os tradicionais, oferecendo uma comida balanceada e com qualidade por um preço acessível aos estudantes.
A UEMG Unidade Divinópolis, por ser o segundo maior polo da Universidade do Estado, deveria possuir também seu R.U, mas ainda não possui, já que a Unidade vem funcionando como uma espécie de secretaria e recebe ordens do governo sobre o que fazer com o dinheiro. Por ainda ser vinculada a FUNEDI, que recebe o dinheiro antes e faz os repasses internamente.
Já existe um projeto constando todos os gastos para a construção do R.U, porém a maior dificuldade encontrada é de manter o restaurante funcionando já que não existe uma garantia do governo de que repassariam o dinheiro para a manutenção, uma vez que sem o mesmo a universidade não teria condições de manter sozinha os gastos.
Como o R.U ainda não é uma realidade, os estudantes se viram como podem e criaram a alternativa do RANGO, como um movimento criado para matar a fome e ao mesmo tempo um protesto pela falta de compromisso do governo para com a universidade e seus alunos.
Iniciativa estudantil visa fornecer alimentação digna aos estudantes e chegou a servir 1.200 refeições no semestre passado.

“A UEMG não oferece auxilio nenhum, os alunos que precisam se organizar para conseguir almoçar, jantar na faculdade. Por eu ainda morar com meus pais, para almoçar eu sempre tenho que estar voltando para casa, é um pouco chato porque ás vezes as aulas terminam mais tarde, tipo meio dia,meio dia e pouco, até eu pegar o transporte público eu acabo ficando muito tempo com fome ” relata Sarah Esteves, estudante do 2º período de Psicologia da UEMG que acrescenta que a maior dificuldade para ela está nos dias que precisa ficar na UEMG à tarde: “o problema mesmo para mim está nos dias,em que por alguma razão,as vezes por ter alguma atividade,ou precisar ficar a tarde para fazer algum trabalho fica mais complicado,porque ou eu procuro algum restaurante pra almoçar,nesse caso só tem a questão do gasto,que você acaba,ás vezes, gastando a mais porque conseguir um lugar que vende almoço bom não é tão barato assim e eu também já levei marmita,ai primeiro teve a questão que teve que conversar com o povo lá para conseguir lugar para esquentar” finaliza a estudante.
A partir dessas demandas e observando essa realidade em busca de soluções e alternativas, estudantes da Unidade criaram o projeto Rango, Revoluções Alimentares não Governamentais, que oferece, três vezes por semana à noite, refeições gratuitas no recanto.
Eduarda Xavier, estudante do 2º período de Jornalismo e uma das fundadoras do projeto diz que através de conversas, pensando no que fazer em torno disso surgiu o Rango: “a primeira coisa que eu reparei quando cheguei aqui foi o fato de não ter um Restaurante Universitário e a dificuldade que é não ter um R.U em uma universidade pública que é um direito nosso. A gente começa a sentir mesmo a importância das coisas quando a gente pratica, se a gente tem uma situação em que as pessoas tem fome o que a gente tem que fazer é fazer comida, então a gente começou a fazer comida,a gente começou a distribuir comida para resolver um problema que já tinha,é o que a gente não tem então a gente vai ter agora, precário a gente fazendo no fogão a lenha,no frio às vezes,mas distribuindo o que a gente tem ali que é nossa força de vontade para fazer as coisas também.”
A iniciativa do Rango visa oferecer uma alimentação digna e colaborar para a permanência dos alunos na Universidade e é realizada coletivamente pelos estudantes “Todo mundo se junta para picar a comida, para preparar a comida, pra pegar lenha, a gente ainda faz na lenha, a partir disso a gente começou a servir cada vez mais refeições, tanto que no semestre passado a gente serviu algo em torno de 1.200,1. 300 refeições. Diz Paulo Mata, estudante de Engenharia de Produção, também fundador do projeto.
Para preparar as refeições, os estudantes vão em verdurões, sacolões e buscam os alimentos que são descartados pelos estabelecimento, por não ter espaço nas bancas para esses alimentos,já que sempre estão chegando alimentos novos. “A gente fazendo o Rango a partir de alimentos que seriam descartados e aproveitando esses alimentos a gente faz uma discussão também sobre consumo, sobre alimentação, então a idé ia do Rango a princípio e até hoje continua sendo uma ideia de fazer esse combate e essa consciência coletiva a partir da ação prática” diz Eduarda Xavier.
O Rango convida a todos para rangarem, contribuições para o projeto são bem vindas, desde ajuda para o preparo da comida, nas terças, quintas e sextas as 19:00, até doações de alimentos ,principalmente complementos,como temperos e molhos. As doações podem ser deixadas perto da sala do D.A como lá embaixo na UEMG.




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