PSS: COMO O PROCESSO seletivo simplificado INFLUÊNCIA A VIDA DOS DOCENTES E ALUNOS DA uemg
- Intercomunicação

- 17 de set. de 2018
- 4 min de leitura
Por: acsa alves, Ana Flávia Dias

O Processo Seletivo Simplificado, o PSS, se da dentro da Universidade do Estado de Minas Gerais como uma alternativa ao concurso público. A premissa do PSS seria a de uma designação rápida e menos burocrática de docentes para os cargos dentro da instituição. Após a absorção da Funedi pelo estado - passando deste modo a ser reconhecida por UEMG - a unidade de Divinópolis ficou na expectativa da realização de um concurso a fim de substituir os antigos docentes da fundação.
Em 2017, a UEMG Divinópolis foi ocupada por estudantes que reivindicavam a realização do concurso. Os manifestantes cobravam uma continuidade dentro da universidade, além de uma maior segurança para os alunos e professores. Na ocasião, Alexandre Simões coordenador do curso de Psicologia da instituição, em entrevista ao portal G1 esclarece que, a falta de um concurso acaba por cercear uma continuidade de projetos dentro do meio acadêmico, “Não se trata somente de termos professores, sejam novos ou os atuais para darem aula. Além das aulas, há projetos, grupos de pesquisa, ações que requerem uma certa tranquilidade na continuidade das pessoas”. Enquanto aluna da universidade, Camila Moraes comenta que “que diz respeito ao processo de ensino, de pesquisa, processo de extensão também é um ponto de instabilidade, porque a gente tem um demérito no quesito de pesquisa e extensão, porque as vezes a gente tem projeto de iniciação cientifica, projeto de extensão, onde tem pesquisas que não são continuadas porque os professores perdem os cargos no processo seletivo simplificado”.
Ainda de acordo com Camila Moraes, estudante de Jornalismo e presidente da UED – União Estudantil de Divinopolitana, no que se diz respeito as manifestações que aconteceram em 2017, que na verdade verdade seriam uma ocupação deliberada em assembleia, em continuidade do processo de luta que ocorre desde 2015 realizado pelos estudantes, onde os professores se juntaram em prol do concurso público. A reivindicação era a recondução dos professores já designados, e também “o concurso público, porque a gente entende novamente que o concurso público é a garantia sobre tudo da construção de universidade, de um projeto de universidade que a gente quer, a gente acredita”, complementa Camila.
O fato é que, além do processo não garantir segurança e contribuir diretamente para o sucateamento da unidade pública, como reforça Camila Moraes, presidente da União Estudantil Divinopolitana, “Enquanto estudante, eu enxergo o PSS como uma ferramenta de sucateamento mesmo do trabalho do professor. Primeiro porque ele não garante nenhuma estabilidade profissional, nenhuma garantia de vínculo empregatício, que seja mais solida né, para o professor? A gente tem professores que hoje tem contrato de PSS que durou 1, 2, ou 6 meses, e não sabem se estarão empregados no mês que vem”.
O PSS também acaba por não assegurar a qualidade de seu corpo docente. O intuito deste é ser rápido e, para que isto possa ser possível, uma análise curricular é feita antes da designação, deixando de lado uma entrevista mais profunda além da aula didática. Deste modo o aluno acaba por não possuir a certeza diante do professor que irá assumir o cargo, como comenta Ayllana Ferreira, estudante de jornalismo da acadêmica “Em alguns casos, o professor é muito bom, qualificado. Em outros não. É a instabilidade do PSS”, ressalta Ayllana.
Os alunos do curso de jornalismo, Ariana Coimbra e João passaram por uma situação desconfortável. Com previsão de conclusão do curso para o final deste ano, os alunos escolheram seus orientadores. Porém na metade do ano estes acabaram por deixar a Universidade já que possuíam um contrato de apenas seis meses, “Eu já sabia. Quando tive aula com a Paula (Paes), ela já havia comentado que o contrato dela era de seis. Me preparei para isso”. O mesmo aconteceu com João, que igualmente encarou a troca de orientadores no meio do ano letivo. “O ruim foi que, em agosto, na primeira semana, eu fiquei sem um orientador”, completou Ariana. Tais casos exemplificam como a falta de uma continuidade dentro do meio acadêmico acaba por prejudicar e inviabilizar a construção de uma universidade forte e unida.
Existe uma instabilidade causada pelo PSS, os alunos sofrem por falta de professores, perca de aulas, umas vez que há uma indisposição no quadro de professores ficando assim sem uma data prevista para dar início a matéria. Vitória Karollayne, também estudante de jornalismo, nos conta do período em que a sua turma foi prejudica por ficar um determinado momento sem professor “me lembro que nós no primeiro período ficamos sem professor de metodologia cientifica, teve muita demora na contratação e isso nós prejudicou, porque quando ela entrou o tempo já não era o bastante para todo o conteúdo. Nós ficamos prejudicados, não deu tempo de aprender tudo e isso hoje ainda nos afeta, temos dúvidas em relação a escrever artigos.”
A UED diz enxergar o PSS como um sucateamento e precarização do serviço do professor e do ensino nas universidades públicas. E que neste caso, a única forma de combate dessa instabilidade sofrida seria o concurso público, que traria a garantia dos trabalhos que são realizados na universidade, que devem ser projetados na comunidade continuarão. “Então enquanto união nos colocamos ao lado do concurso público, nos colocamos na luta pelo concurso público, e nos colocamos ao lado dos professores, professoras, estudantes pelo concurso público.”
Houve uma tentativa de contato com a pro reitoria de ensino da universidade sobre um possível posicionamento a respeito mas não obtivemos retorno.




Comentários