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Processo Seletivo Simplificado enfraquece a relação dos professores com a UEMG

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    Intercomunicação
  • 28 de set. de 2018
  • 3 min de leitura

Por: vitória karolayne / viviane viana


(Créditos: Vitor Correia e Vitória Karolayne)


A UEMG, não apenas a unidade Divinópolis, mas especialmente ela, está em estado de caos. Salários estão atrasados, internet foi cortada, o portal dos alunos saiu do ar por falta de pagamento, não há produtos de limpeza para manutenção do ambiente, tem faltado o básico. A situação piora quando o vínculo com os professores é estremecido por falta de um concurso. A solução encontrada para que não falte aula é o Processo seletivo simplificado (PSS). São longos 11 meses pela frente com instabilidades, medos e inseguranças. Não há garantias contratuais, não há direitos trabalhistas, a universidade precisa do docente e eles de um trabalho.

A elaboração de concursos demanda tempo para execução e efetivação dos aprovados. O Governo de Minas sem pensar no impacto que traria optou pelo PSS nas suas instituições acadêmicas, em especial, na Universidade do Estado de Minas Gerais - Unidade Divinópolis. Desde 2016 quando teve o primeiro processo, os professores são escolhidos por meio da avaliação de títulos informados no momento da inscrição. É a hora em que todo o desempenho dos docentes é analisado, a classificação é de acordo com a pontuação dos candidatos obtida através da comprovação de experiência acadêmica e de mercado, publicações de artigos e outros projetos desenvolvidos.


Falsa promessa

Em 2014, a antiga Fundação de Ensino de Divinópolis (FUNEDI) foi estadualizada, ou seja, todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão ficaram a cargo do estado. Os professores que já lecionavam na instituição particular, ao todo cerca de 130 pessoas, tiveram a opção de permanecer, com a garantia de que em seis meses o estado e a universidade seriam encarregados de providenciar a elaboração de um concurso.

O Estado alega já ter feito sua parte, disponibilizar as vagas, tirando completamente sua culpa pela atual situação da UEMG. A universidade alega não ter condições, pois não tem funcionários efetivos para montar as bancas e fazer a seleção. Parece um jogo, estão empurrando a responsabilidade. Passaram quatro anos e a promessa do concurso ainda não foi cumprida.


O ponto de vista do diretor administrativo

Tiago Novais, diretor administrativo e professor de engenharia da unidade, leciona desde 2011 e passou pelo processo da estadualização. Hoje, conta, o impacto do PSS na universidade é principalmente na troca frequente de professores, pois há disciplinas que tem continuações e é preciso de interação entre os docentes para dar continuidade no conteúdo.“As disciplinas nunca estão nas mãos dos mesmos professores, quando há essa renovação a interação entre os professores morre e é péssima essa situação” lamenta o diretor.

Enfatiza também que o processo não dá garantias trabalhistas e por isso na primeira oportunidade alguns bons professores optam por trocar de instituição. “O vínculo mais precário que nós temos hoje no país é a designação, não tem FGTS, não tem seguro desemprego, não tem nada.” declara.


O preço do esforço

O contrato dos professores do PSS possui uma carga horária de 20 horas, deixando em aberto a possibilidade do funcionário dobrar sua carga horária, exercendo funções administrativas e trabalhando na execução de projetos. A maior parte dos professores, além de possuir um horário reduzido, vem de outras regiões e não recebem auxílio para permanecer na cidade, visto que, muita das vezes, as aulas ministradas não são no mesmo turno.

Richardson Pontone, coordenador e professor do curso de publicidade e propaganda, conta que entrou na unidade em 2016, exatamente quando teve o primeiro processo. Ele lamenta a falta de auxílio da instituição a professores vindos de outras regiões e ressalta o esforço feito pelos docentes em busca do concurso. “Só o custo para vir para as aulas programadas e ficar em Divinópolis, contando hotel, gasolina e alimentação, é de mais de R$1mil”, diz Pontone. Se o professor possui título de especialização apenas, continua, “está pagando para trabalhar, justamente para acumular pontos e fazer o concurso” afirma com pesar.


A incerteza do futuro

O cenário atual da universidade é de incertezas. O pagamento dos serviços terceirizados foi regularizado, porém os salários dos professores continuam atrasados desde julho e não tem verba para os fornecedores. Sem concurso, todo semestre letivo a Universidade do Estado de Minas Gerais terá que fazer uma nova seleção, o PSS ainda é a única escolha para que não falte aula. Os docentes terão que se planejar sem garantias trabalhistas e somente com a esperança de permanecer com os alunos até o final do curso.

 
 
 

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