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OS MESMOS QUE GRITAM POR OURO AGORA CLAMAM POR JUSTIÇA

  • Foto do escritor: Intercomunicação
    Intercomunicação
  • 4 de jul. de 2018
  • 3 min de leitura

Confusão em boteco termina com morte de garimpeiro inocente


Por: VITOR ALVES COUTO CORREIA


Imagem: Desconhecido

Na cidade pequena de Aparecida do Norte no Pará, nasceu José de Ulisses Ferreira, garimpeiro que iniciou sua jornada cedo para ajudar nas despesas da pobre família. Zé, conhecido assim por todos, perdeu seus pais antes mesmo de alcançar a maioridade e o trabalho árduo no garimpo era o que o mantinha. Humilde e batalhador, este não desanimava e fez grandes amigos. Conheceu sua esposa Margarida ainda jovem, com quem teve um filho, José Carlos Ferreira, hoje com 9 anos de idade.


O militar Alberto Gontijo da Silva, Cabo Silva, nasceu em Pernambuco, e é o oitavo filho de uma família de dezesseis filhos, mas que perdeu quatro destes. Em uma casinha simples, de chão batido e quase nenhum móvel, vivia a família Silva, que tiravam o sustento de uma pequena criação de gado. Os filhos de dona Maria e senhor Geraldo tiveram uma infância difícil, passando por inúmeras dificuldades, mas que os tornaram o que são hoje. Todos possuem histórias de superação, com destaque à Silva, que chegou a passar fome.


Hoje, o garimpo de Aparecida do Norte é a principal fonte de renda da cidade, com cerca de 2.500 trabalhadores, pode se dizer que quase todos estão ali pela mesma necessidade, manter a família.


Após a longa jornada de trabalho diário, é comum os trabalhadores irem ao boteco do Garimpo. Zé de Ulisses e seu amigo João Tainha iam com frequência ao bar para aliviar o cansaço do serviço pesado, já que estavam sempre exaustos e estressados com a opressão dos policiais que rondavam a mina.


A sexta-feira foi muito desgastante para os amigos Zé e Tainha. Nesse mesmo dia, depois de umas e outras no boteco, João começa a ficar alterado e se dirige ao balcão onde pede mais cinco cervejas de uma vez e diz para anotar em sua conta. Jaime, o dono do bar não atende ao pedido dizendo não vender fiado e é surpreendido pelo garimpeiro com uma garrafada na cabeça. No mesmo local estava Cabo Silva que sem pensar duas vezes atira contra Tainha, mas acaba errando.


Já é tarde. Margarida procura o marido juntamente com o filho. Esta, vai direto ao boteco pois sabe que o marido estava sempre ali depois do expediente, mas ele nunca demorou tanto. Antes mesmo de entrar pela porta, dois tiros são disparados. Zé de Ulisses arriscastes sua vida para defender o amigo e agora estava sem vida. A confusão no bar entre garimpeiros e policiais se inicia enquanto o pequeno José chora ao lado do pai caído ao chão. Margarida grita e chama Cabo Silva de assassino.


Os trabalhadores que ali estão, pedem a morte de Silva, que é recuado do local pelos companheiros. Chegam os bombeiros mas não há mais tempo, Zé está morto.


A cidade se encontra em choque e o ódio se espalha pelo garimpo. Os garimpeiros gritam por justiça e pedem a condenação do Cabo para honrar a família do funcionário da mina. Enquanto é aguardado o processo, Alberto dá seu primeiro depoimento após a tragédia e afirma estar muito arrependido do que fez, desde o acontecido, o cabo da polícia não tem dormido e nem se alimentado. Além disso, já tentou suicídio por três vezes segundo o Comandante Rodolfo Pimentel. Margarida e o filho José receberam da polícia, ajuda de profissionais da saúde para auxiliar na tratamento do trauma e por se encontrarem em estado depressivo.

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