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Falta de policiamento ameaça segurança de estudantes em região universitária de Divinópolis

  • Foto do escritor: Intercomunicação
    Intercomunicação
  • 2 de out. de 2018
  • 3 min de leitura

A saída dos estudantes foi a voz da coletividade e a necessidade de se resguardarem de situações que não deveriam acontecer

Por Ayllana Ferreira e Camila Moraes

O que provoca sua empatia por alguém que já foi assaltado? Um cenário em comum, o medo ou a sensação de que poderia ter sido você? Tudo, quando na realidade, nada deveria provocar. Por que você sente empatia por uma situação que não deveria acontecer? E por que ela acontece?


Na porta da universidade. O caminho comum de todos os estudantes, funcionários e professores. Deveria ser seguro. Não foi para a estudante de Engenharia de Produção Victória Fernandes. Sentada no ponto de ônibus, um homem a aborda e pede seu celular. “A princípio pensei que ele estava brincando”. Não era brincadeira. Poderia ter sido você.


O medo de ser assaltado. Você pode nunca ter sido ou não ter números concretos divulgados das pessoas que foram roubadas, mas, ainda assim, você sabe que o perigo está lá. O medo comum faz da coletividade a saída para se sentir seguro. Mais uma pessoa foi assaltada na porta da universidade. Poderia ter sido você.



Ficou por isso mesmo


Por volta de 11h, Victória, estudante na Universidade do Estado de Minas Gerais, foi assaltada à mão armada em um ponto de ônibus próximo à universidade. Um homem se aproximou, pediu o celular. Ao acreditar que se tratava de uma brincadeira, a estudante ignorou. O assaltante apontou uma arma em sua direção e a ameaçou. Assustada, ela entregou o celular e o homem entrou em um carro.


Nesse dia, outras pessoas foram assaltadas pelo mesmo homem, no mesmo ponto. Victória conta que viu uma bolsa com celulares no carro que o assaltante entrou.


Após o ocorrido, a universitária foi à delegacia de polícia fazer um Boletim de Ocorrência. Como conta Victória, nada foi feito. Não pediram descrições dos fatos, não encaminharam patrulhas e não efetuaram suas denúncias. Alegaram que o sistema estava fora do ar. “Eles não deram muita importância, vi que não ia adiantar. Ficou por isso mesmo”, conta.



Medo iminente


“Não há dados computadorizados, mas a gente tem medo mesmo assim”, é o que conta a estudante do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) Larissa Ferreira. A falta de iluminação e a presença de muitos matagais, associados ao descaso do poder público e a ausência de policiamento, tornam o único caminho dos estudantes uma zona de constantes assaltos.


A coletividade entre os estudantes é a alternativa encontrada. A prevenção é ir e voltar das aulas na companhia de outras pessoas. A falta de policiamento fez com que fosse necessário a construção de uma rede coletiva de proteção. Ainda assim, como conta Larissa, não é suficiente.



A organização dos estudantes


A organização foi a saída encontrada para lidar com a ausência de segurança pública na região universitária de Divinópolis. Os Diretórios Acadêmicos da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) e do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) se organizaram para, por meio do diálogo entre as instituições, promover ações que questionassem as autoridades sobre o problema da segurança.


O estudante de Farmácia e ex-presidente do Diretório Acadêmico da UFSJ, Wesley Silva, encabeçou o movimento a fim de trabalhar uma linha de ação que obtivesse resultado em relação às demandas dos estudantes. Buscou por comissões responsáveis pelos assuntos relacionados à segurança nas três instituições. Não havia comissões. Buscou pelo diálogo das instituições com agentes públicos de segurança. O diálogo com a Polícia Militar de Minas Gerais (PM-MG) não era frequente. Buscou se inserir como representante estudantil nos fóruns de discussão da área. Chegou ao Conselho Municipal de Segurança Pública (ACASP).


Não havia relatos de ocorrências da situação imposta aos estudantes. Diante da contradição, entre os assaltos e as estatísticas, as organizações estudantis decidiram ocupar o espaço do ACASP todas as quartas-feiras e expor os fatos. Como conta Wesley, não havia policiamento suficiente para suprir as demandas. “Por ser uma nova companhia, teríamos que aguardar a formação de nova turma”, completa.


Como resultado da mobilização estudantil, a PM-MG realizou ações paliativas. A implementação de uma van como base móvel, que se instalava por cerca de uma hora em frente às instituições, foi uma das medidas tomadas. Segundo o estudante, ocorreu uma sensação de segurança em virtude da redução das ocorrências. A ação durou dois meses.



Conclusão


A movimentação dos estudantes provocou reações no poder público, porém, elas não foram suficientes nem duradouras. Ainda há ocorrências de assaltos, as pessoas ainda sentem medo. E ainda pode ser você.


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