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A influência dos "memes" para a manipulação nas mídias digitais no Brasil

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    Intercomunicação
  • 4 de jul. de 2018
  • 3 min de leitura

Por: Paula Paiva


Imagem: Carta Capital

O avanço das tecnologias digitais culminou numa maior visibilidade da opinião pública. Por causa dessa evolução crescente, o poder da internet está cada vez de mais fácil acesso ao indvíduo. Práticas como a utilização do Facebook, Twitter e Instagram, etc. está se enraizando no dia a dia das pessoas, ampliando o espaço de produção de conteúdo e facilitando a expressão do ponto de vista social nesses meios. Opiniões que podem ter sido baseadas em dados comprovados ou não. Parafraseando Manuel Castells (2002), isso se dá pela sua inclusão e abrangência sem, necessáriamente, algum tipo de intermédio.


Portanto, a manipulação das mídias digitais já existe desde sua fundação. A manipulação da informação no geral já é de conhecimento comum. Nas mídias digitais, chega a ser mais fácil pelo fato da agilidade que se pode produzir, e reproduzir sem perca de qualidade. Um exemplo é como uma piada consegue, em questão de minutos, transitar pelos quatro cantos do mundo, principalmente no Brasil, país que é conhecido mundialmente pela irreverência nas redes através dos memes.


Qualquer assunto pode virar meme. Por mais que questões econômicas e políticas do país estejam em discussões calorosas, o brasileiro sempre propaga piadas sobre o assunto na internet. Segundo o site da BBC, a USP (Universidade de São Paulo) realizou uma pesquisa que constatou que "os dez conteúdos mais compartilhados relacionados à política incluem cinco gifs sobre a crise, que, juntos, somam 812 mil compartilhamentos". Um exemplo recente é a Operação Lava Jato, que gerou várias discussões significativas nas redes, portanto foi um difusor de piadas que de alguma forma, também é uma crítica aos governantes e também estimula o debate.


Por causa dos memes contra o governo, houveram várias tentativas de medidas de mapeamentos e controle do uso da internet, porém foram frustradas. Devido à essas circuntâncias, várias páginas de informações, inclusive do próprio poder executivo, começaram a se aprimorar das formas cômicas de abordar algum assunto brasileiro. Dessa forma, entra em discussão o momento quando um meme consegue mudar, inconsientemente, a forma da sociedade de pensar. A falta de importância dada em certo meio, como de uma imagem engraçada ou o gif, por ser "somente uma piada", causa a vulnerabilidade do indivíduo.


É também de suma importância para discussão desse meio, as Fake News. O alto volume de informação que circula na internet, torna o cidadão limitado para distinguir o que é de boa qualidade ou não, fazendo com que boatos viralizem sem ter uma fonte confiável. Ao se adaptar junto à um meme, a viralização se torna bem mais poderosa.


Um exemplo recente são as várias Fake News que disseminam com o nome da cantora Pablo Vittar, pelo fato dela ser uma mulher trans, notícias como "Jean Wyllys fará uma turnê nas escolas junto com o cantor Pabllo Vittar para ensinarem para as crianças sobre diversidade sexual", que atualmente se espalha em tom de meme, portanto muitas pessoas acreditam ser autêntico. Outro nome que é bastante falado nas redes ultimamente, é do deputado Jair Bolsonaro que frequentemente é capa de algum meme ou Fake News. Segundo a pesquisa da USP, o centeúdo político mais compartilhado nas redes em 2017, foi a frase dele "Se eu não for candidato, quero ser vice de Aécio" (335.858 compartilhamentos).


Outro fator que a disseminação dos memes influencia é a polarização de opiniões. Frequentemente vê-se um lado da opinião política, fazendo algum meme que ofende o outro e vice-versa. O professor Pablo Ortellado avalia: "O que se percebe é que a polarização continua com o padrão: metade dos compartilhamentos é da grande imprensa e a imprensa alternativa de esquerda e direita divide a outra metade, com algumas variações. A tendência estrutural é essa, e ela voltou a se estruturar depois do primeiro impacto".


Em suma, deve-se atentar aos impactos causados por esses meios de propagação de humor com cunho opinativo político ou de outro assunto signficativo. O humor contido, faz com que o indivíduo não se preocupe com a mensagem, e acaba compartilhando para se divertir ou para demonstrar sua opinião. O Brasil está passando por uma fase de instabilidade política, na qual a opinião pública é de grande importância, desde que tenha embasamento sério e com dados reais. A forma como a sociedade pensa é estudada principalmente na área da política como um meio de conhecer as tendências do eleitorado. Afinal, os resultados das eleições é o espelho da população.


Referências bibliográficas


CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2002.


CARTA CAPITAL. Era dos memes na crise política atual. Justificando. 2017. Disponível em: <http://justificando.cartacapital.com.br/2017/06/07/era-dos-memes-na-crise-politica-atual/>. Acesso em 04 de julho de 2018.


E-FARSAS. Jean Wyllys e Pabllo Vittar farão turne pelas escolas para falar sobre diversidade. 2017. Disponível em: <http://www.e-farsas.com/jean-wyllys-e-pabllo-vittar-farao-turne-pelas-escolas-pra-falar-sobre-diversidade.html>. Acesso em 04 de julho de 2018.


BBC. Bolsonaro, memes e conspirações viralizam nas redes após delação da JBS, diz pesquisa. 2017. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40054267>. Acesso em 04 de julho de 2017.

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