Contador envolvido em lavagem de dinheiro vive sob regime semiaberto
- Intercomunicação

- 27 de set. de 2018
- 3 min de leitura
Por: Isabelle marie / vitor correia

(Imagem ilustrativa)
Pirapora, polo industrial do norte de Minas, é o cenário onde tudo aconteceu. Reinaldo Domingos, antes de se formar em contabilidade, dava aulas de história na rede estadual de Minas Gerais. Após concluir os estudos se tornou contador da Fundação Caio Martins (FUCAM) e abriu seu próprio negócio. Seu trabalho fez sucesso desde o começo. Com poucos meses em atividade, o contador já tinha mais de 50 clientes. Depois de dois anos do estabelecimento do escritório, o número aumentou consideravelmente, por volta de 180 empresas. O honorário variava de empresa para empresa, chegando até R$ 900,00.
Em 2012, suas ações começaram a crescer mais ainda, passando a fazer contabilidade de uma empresa que até então transportava grãos para a Vale do Rio Doce. Posteriormente, os donos do negócio abriram uma produtora de eventos e uma casa de shows na orla do Rio São Francisco, ponto turístico de Pirapora. Artistas que cobravam um cachê elevado, como Ivete Sangalo, Sorriso Maroto, Zezé de Camargo e Luciano, começaram a se tornar comuns nas festividades da cidade. Pirapora entrava no mapa do show busines.
Um olhar duvidoso, porém, surge entre os policiais civis do município, suspeitando da situação. A partir daí foi aberta a investigação e por um ano e meio a polícia não deixou de medir esforços na busca de indícios que comprovariam um possível desvio de dinheiro. Nesse período, a empresa continuou realizando várias festas esplendorosas.
Oito milhões
R$8 milhões. Foi esse o saldo desviado por uma quadrilha de oito integrantes, conhecidos como “Os reis do camarote”. O grupo ficou conhecido pelos eventos que realizavam em Pirapora e região, com intuito de promover a lavagem de dinheiro.
Como contador, Reinaldo era responsável pela regulamentação das notas fiscais da empresa. A transportadora mantinha um fluxo alto de cargas, as mesmas eram retiradas do Vale do Rio Doce no município de Pirapora. Com a retirada dos grãos (soja e milho) era necessário a emissão da nota fiscal, o que não acontecia. Logo, as cargas eram “negociadas” com uma empresa fantasma, a partir daí ocorria a lavagem de dinheiro.
Reinaldo foi detido em seu próprio escritório teve suas mãos algemadas e além disso, apreenderam tudo, incluindo uma caminhonete Hillux, um automóvel da marca GM/Cruze LTZ, um Fiat/Uno e um cavalo trator da Volvo. Além de Reinaldo, foram presos Edilene Anacleto Costa de 37 anos, Alessandro Sidney Costa, 40 anos, Fabio Soares da Costa, 30 anos, Jadmar Costa, 48 anos, Kleber Vieira Lacerda, 37 anos, Ricardo da Conceição Costa, 36 anos e Roberto da Conceição Costa, 27 anos.
A ação policial teve o apoio do delegado Jurandir Rodrigues César Filho, que reforçou o compromisso de intensificar as ações de combate à violência e à criminalidade na cidade. “Estamos investigando e levando à Justiça todos aqueles que direta ou indiretamente também estão envolvidos com o crime organizado", finaliza.
A partir de então começou o sofrimento da família do contador. O pai não sabe até hoje que seu filho está preso, seus entes quiseram poupá-lo da dor. Seus filhos, por muitos meses, acreditaram que o pai teria saído para uma viagem, só não imaginavam que essa viagem demoraria tanto tempo.
Hoje em regime semiaberto, Reinaldo continua trabalhando. Saí às seis da manhã da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC) e retorna às 18h para passar a noite. Enquanto isso, ele aguarda seu julgamento. Se condenado, pode receber uma pena de até 19 anos pelos crimes cometidos.
Nome do personagem: fictício




Comentários