Angústia se torna frequente na vida de professores mineiros
- Intercomunicação

- 27 de set. de 2018
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Por: Isabelle marie / vitor correia

(Imagem ilustrativa)
Na pequena Esmeraldas, nos arredores de Belo Horizonte, vive Marilene da Conceição Silva, 50 anos. A professora do ensino fundamental I que serve ao município há 19 anos, é apenas um dos diversos casos envolvendo o parcelamento de salários da rede municipal.
Preocupação e desespero são palavras que expressam bem os sentimentos dos funcionários. Há meses sem respostas da prefeitura no que se refere às verbas destinadas à educação, a situação se complica para aqueles que fazem compromisso com o pouco que recebem.
Marilene, que mora com sua mãe, irmão, sobrinha e afilhada, é responsável por todas as despesas da casa, uma tarefa não muito fácil.
Além disso,seu filho, Mathaws, que estuda na cidade em Divinópolis, cidade universitária no centro-oeste do Estado, depende de seu apoio financeiro. O estudante, recentemente, foi diagnosticado com Linfoma, uma neoplasia que atinge os tecidos linfáticos, responsáveis pelo sistema imunológico. Com apenas 23 anos, o jovem já passou por um processo cirúrgico em que retirou dois linfonodos na região cervical e agora precisa retirar outro na região axilar e na inguinal. Sem contar os gastos com consultas e exames, ela é encarregada pelas despesas domésticas do filho que estuda em período integral na Universidade Federal de São Del Rei, no campus de Divinópolis.
Em Brasópolis, no sul de Minas, quase 500 km distante de Esmeraldas, mora a professora aposentada do Estado Marceline Pereira Silve, de 65 anos. Com os atrasos e parcelamentos do pagamento feitos pelo governo de Minas, a ex-servidora já teve dúvidas de como chegaria ao fim do mês. Diante de explicações vazias do governo, Marceline tem estampada em seu rosto a incerteza, pois a nunca sabe ao certo quando essa quantia, que é pouca, mas que garante o seu sustento, será depositada. Depois de 40 anos lecionando na rede pública estadual, Marcelina foi obrigada a cuidar do armazém herdado de seu pai. Lidar, porém, com as suas necessidades financeiras tem se tornado cada vez mais difícil. O comércio não tem tido o retorno esperado e a condição que antes era “assegurada” hoje se perde em uma lama de dúvidas.
O que as duas têm em comum? São servidoras públicas, professoras, mineiras. Reféns das diretrizes determinadas "de cima". Os servidores Públicos estão há meses recebendo seus salários parcelados. Preocupação e desespero. Há meses sem respostas da prefeitura de Esmeraldas ou do Governo de Minas no que se refere às verbas destinadas à educação, a situação se complica para aqueles que fazem compromisso com o pouco que recebem.
As dificuldades cotidianas não perpassam somente o ambiente escolar e aqueles que ali trabalham: os professores da rede municipal de Esmeraldas ainda enfrentam problemas com o transporte público. Os ônibus de linha que percorrem os bairros do município são os mesmos que vão para outras cidades próximas, como Betim, Contagem e Belo Horizonte. As tarifas variam de R$ 6,30 à R$10,50, valores nada acessíveis para os profissionais que têm recebido seus salários parcelados.
Questionado sobre a situação, o Governo de Minas se limitou a informar que valores dos salários de julho foram depositados na conta de todos os servidores ativos e também de parte dos inativos e pensionistas. Os depósitos continuarão a ser efetuados até a próxima sexta-feira, 31 de agosto e a terceira e última parcela será paga na próxima semana já em setembro. Informou ainda que a situação se deve aos déficits financeiros acumulados e por uma questão de fluxo de caixa do Tesouro Estadual. Embora não tenha afirma claramente, parece claro que a situação vai permanecer nos próximos meses e não há sem previsão para normalização.
Relatos como os de Marilene e Marceline têm se tornado comuns nos últimos meses, fazendo a desilusão generalizada ganhar cada dia mais força. Ainda que se encontrem desamparados, o compromisso com a educação de crianças e jovens não é deixado de lado, a esperança em formar futuros cidadãos de bem e que possam contribuir com um país melhor se mantém. As aulas continuam sendo ministradas, mesmo sem motivação justa. O que resta a eles é a confiança de que seus alunos possam mudar o atual cenário em que vivem, a fim de evitar que problemas como não se tornem tradicionais e corriqueiros, perpetuando ao longo dos mandatos e causando desânimo àqueles que só querem ensinar.




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