RESTAURANTE POPULAR: Um sonho que está longe de voltar a ser realidade
- Intercomunicação

- 1 de out. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 3 de out. de 2018
Após cinco anos de funcionamento, o Restaurante Popular fechou as portas em 2014. Sem previsão de reabertura, o imóvel e o programa PAP estão parados.
Por: acsa alves e anna Flávia alves

(Créditos: Acsa Alves)
“Não vai voltar!”, essa frase representa o sentimento de boa parte da população de Divinópolis, Minas Gerais, quando o assunto é o Restaurante Popular. Inaugurado em 2008, na gestão do prefeito Demetrius Pereira, o estabelecimento servia cerca de 1.600 pessoas por dia, inicialmente com refeições no valor de R$1,00, motivo pelo qual o estabelecimento ficou famoso. Um dos beneficiados pelo baixo valor das refeições e pela proximidade do camelódromo, seu lugar de trabalho, era o vendedor ambulante Gustavo Santos. Quando o Restaurante Popular abriu, Gustavo conta que sempre fazia suas refeições lá, e hoje sente falta da iniciativa. “Faz muita falta. Porque, por exemplo, quem trabalha no centro hoje, tem que comer em restaurante, e acaba que no final do mês fica caro, dá uma diferença muito grande.”
Com quase seis anos de funcionamento o Restaurante Popular foi fechado com a principal alegação de que não havia alvará sanitário para funcionar. Contudo, Raimundo Nonato Ferreira, antigo gerente do restaurante e atual vereador da Câmara de Divinópolis, contradiz tais justificativas. “Ficou inviável para a Prefeitura. Era muito, muito caro”. Raimundo explica que a princípio o Restaurante Popular era administrado por uma empresa terceirizada, a Alimenta, de Belo Horizonte, que havia ganhado a licitação., mas não houve renovação do contrato. “Venceu o contrato e a Prefeitura não renovou mais, achando que daria conta, e na verdade não deu conta.” Vladimir Azevedo assumiu a Prefeitura em 2012. O Restaurante Popular fechou suas portas em 2014.”.
Barato para a Prefeitura, caro para a população
Para evitar o fim do Restaurante Popular, em 2013, uma alternativa encontrada pela Prefeitura de Divinópolis foi subir o valor das refeições de R$ 2,00 para R$5,00. Apenas os beneficiados cadastradoscontinuaram pagando o valor sem reajuste. Porém tal medida não conseguiu viabilizar a manutenção dos custos gerados pelo estabelecimento, e ainda atingiu a população que buscava uma alimentação mais acessível. Segundo matéria publicada pelo G1 em 2013, após o aumento no valor das refeições, a quantidade de usuários caiu de 1.600 para menos de 400 pessoas, o que acabou contribuindo para o fim do serviço.
Como medida para não deixar na mão os moradores que necessitavam da iniciativa, a Prefeitura, ainda na gestão do ex-prefeito Vladimir Azevedo, criou o PAP – Programa de Alimentação Popular. O PAP deveria beneficiar cerca de 400 pessoas previamente cadastradas. Cada refeição, realizada em restaurantes conveniados com a Prefeitura, custaria o total de R$5,00, sendo que o município custearia R$4,00 e o usuário pagaria o valor restante, no caso R$1,00. Entretanto, o projeto não se manteve. “Esse programa durou por um tempo, agora está parado. Acredito que seja pelo financeiro. Fui atrás do prefeito que disse que o programa não tinha acabado, mas que estava parado e parado está até hoje”, diz Nonato. Segundo matéria do G37, o PAP foi suspenso em 2017 pelo atual prefeito, Galileu Teixeira Machado, devido a suspeitas de irregularidades.
Promessas eleitorais
Que durante todo o seu funcionamento o Restaurante Popular foi um sucesso é de comum conhecimento. E devido a tamanho sucesso, seu fechamento causou um grande impacto na vida de quem dependia do projeto para conseguir uma alimentação digna. O prédio do Restaurante – que atualmente possui uma placa com o escrito “Centro de Reabilitação” em sua fachada – é situado na Rua São Paulo no nº07, e pela proximidade com o quarteirão fechado, onde fica o comércio ambulante, grande parte dos frequentadores do lugar eram os profissionais que ali trabalhavam.
Para Gustavo, a promessa feita pelo atual prefeito de Divinópolis não deve deixar de ser apenas uma promessa. “Acredito que não volta, não”. Para alguns trabalhadores mais exaltados, o retorno é dado como impossível, “Não vai voltar! Não tem jeito! Ele prometeu, mas não volta! Não vai voltar!”, disse um dos trabalhadores do camelódromo.
Até o fechamento desta matéria não se obteve uma resposta da Assessoria de Comunicação da Prefeitura e não foi possível entrar em contato com Vladimir Azevedo, ex-prefeito do município, visto que este se ausentou da carreira pública.



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