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O “Descansar em Paz” não existe no cemitério do Bom Pastor

  • Foto do escritor: Intercomunicação
    Intercomunicação
  • 24 de set. de 2018
  • 2 min de leitura

Por: Letícia Rodrigues/Lorena Gonçalves


Imagem: Floricultura Cemitério Bom Pastor

Em um momento de luto, uma sensação que ninguém espera ter: estado de choque. Foi o que ocorreu com Fátima, ao visitar o túmulo da mãe no cemitério do Bom Pastor em Divinópolis-MG. Claudia, mãe de Fátima, morreu e não descansou. Seu túmulo foi aberto e seus restos mortais jogados em uma sacola plástica ao lado de seu caixão aberto. Sua família, em estado de choque, procurou o coveiro responsável pelas manutenções do cemitério e o questionou. Sua resposta, em tom acostumado e normalizado foi: “não chorem, esse é o destino de todos aqui. ” Fátima, como filha, se sentiu “completamente desrespeitada ao ver aquela cena e saber que minha mãe esteve ali e foi colocada naquele saco preto, com o caixão exposto de qualquer jeito”. Sua visita, movida a saudades, se tornou indignação e tristeza.


Nesse cemitério, localizado no bairro Bom Pastor, encontra-se mais Fátima’s e Claudia’s. Em meados dos anos 80, uma mãe perdeu sua filha. Após 2 anos do falecimento, a família foi visitar o túmulo da criança e se deparou com o caixão retirado, aberto e jogado aos cantos. Mais uma vez a visita a um ente querido se torna uma completa indignação e tristeza. A irmã da criança falecida declara que foi um episódio muito doloroso para sua mãe, que chorou muito.


A prefeitura da cidade afirma que após 5 anos os túmulos podem ser abertos conforme necessidade para mais sepultamentos, mas a família deve ser informada antes do procedimento e, caso queiram, assisti-lo. Tal procedimento só pode ser realizado com uma autorização do responsável e em casos de saúde pública. Os restos mortais retirados devem ser colocados em embalagens específicas e lacradas, o que não ocorre. A prefeitura esclareceu que o procedimento é padrão e em nenhum momento viola questões sentimentais da família. Parece ironia. Afirmam não violarem questões sentimentais das famílias, mas as deixam em estado de choque ao visitarem os túmulos e se depararem com a retirada dos corpos e restos mortais jogados em sacos plásticos - sem a notificação obrigatória do procedimento.


O CASO NÃO É RECENTE


Em agosto de 2017, depois dos trágicos acontecimentos, a prefeitura de Divinópolis iniciou uma obra no cemitério. A obra promete espaço específico e adequado para colocar os restos mortais que são retirados dos túmulos até que o transporte para o aterro sanitário seja feito. Ainda assim, a situação de abandono é relatada por visitantes a anos. O descaso e a falsa preocupação com a saúde pública foram notórios quando, em 2015, visitantes relataram o mau cheiro de um túmulo em que o sepultamento havia sido feito há mais de sete dias. O corpo já estava em decomposição e a tampa ainda não tinha sido lacrada. Depois das reclamações, uma equipe responsável pela limpeza do cemitério foi acionada. Até então, os caixões eram deixados, ou melhor, jogados pelos cantos em meio a muito mato e lixo espalhado. O cemitério do Bom Pastor precisa de dignidade, solidariedade, higienização básica, e, quem sabe, um bom pastor! Para ajudar os falecidos descansarem em paz.

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