top of page

Texto

(s)

Intolerância Religiosa: Da não aceitação às notícias enganosas

  • Foto do escritor: Intercomunicação
    Intercomunicação
  • 2 de jul. de 2018
  • 5 min de leitura

Por: viTOR ALVES COUTO CORREIA


Imagem: Canção Nova

A intolerância religiosa é um conjunto de ideologia e práticas realizadas contra qualquer cidadão por ser adepto ou não a uma religião. É considerado crime, que fere a dignidade e liberdade humana, tendo em vista que a constituição de 1988 assegura o direito de todo e qualquer cidadão escolher, exercer e seguir sua própria religião. Desde o período de colonização brasileira nota-se a padronização eurocêntrica, na qual os europeus colonizadores traziam papas para catequizar jesuiticamente os índios nativos e os africanos escravizados, buscando, dessa forma, impor uma única religião que se baseava em fins particulares e de dominação.


No decorrer do século XX o catolicismo perdeu forças no Brasil, com o aumento das igrejas evangélicas e da prática de outras religiões como as orientais, o islã, as afrobrasileiras, além de diferentes espiritualidades que não se identificam como instituições religiosas. Os adeptos se relacionam com suas crenças por diferentes modos e há presença de correntes espirituais distintas dentro de uma mesma tradição.


O Brasil é uma pais miscigenado e isso é um fato para nos orgulharmos, as religiões presentes são as mais diversas, entre elas estão as afro-brasileiras que, infelizmente, são as mais julgadas e mal interpretadas. O candomblé e a umbanda são exemplos de religiões fortemente perseguidas por pessoas etnocêntricas, que acreditam pertencer a uma religião superior ou até mesmo pela falta de crença. A intolerância acarreta a exclusão social e decorre de atitudes violentas destruição de imagens, objetos e materiais ritualísticos, além de crucificar outros rituais dos quais não tem nenhum conhecimento por inteiro.


É notória a sequência de fatos envolvendo a intolerância religiosa. Violência, discriminação são exemplos gritantes da desconsideração de membros da sociedade perante as diversas manifestações religiosas. Soma-se a isto, a desigualdade social, a discriminação racial e de gênero, homofobia, entre outros. É preocupante, o aumento do número de mortes não só no Brasil mas também em todo o mundo. O preconceito, muitas vezes, começa dentro de casa, o indivíduo cresce ouvindo desrespeitos por parte dos membros desta. Logo, essa influência gera consequências drásticas para a criança, que se tornam vítimas de uma sociedade intolerante.


A mídia entra nesse contexto como fator propiciador para a difusão de ideais. Um grupo de mídia, muitas vezes de concessões públicas, atingem milhões de pessoas, manipulam o pensamento de vastas camadas de leitores ou telespectadores. Ou seja, detém um poder pode se dizer imbatível. Logo, é necessário que exista limites para a sua atuação. Uma visão do poder Judiciário pode não entender esses aspectos e tende a colocar todos os abusos referentes a utilização do conceito como liberdade de imprensa.


Em meados dos anos 90, um bispo evangélico chutou em uma programa da TV Record a imagem de Nossa Senhora Aparecida, causando comoção nacional e resultando na demissão deste, além de seu afastamento da sua igreja e um pedido de desculpas a emissora. Diante desse exemplo é possível perceber que existe uma maior influência do grupo atingido em relação ao agressor. Há algo de muito errado dentro dessas situações. Católicos, evangélicos, umbandistas, dentre outros, merecem o respeito por parte de todos os meios de comunicação e os abusos precisam ser vetados pela Justiça.


Dentro dessa analogia, ingressam as “Fake News”, as notícias falsas que são disseminadas por diferentes dispositivos e muitas vezes chegam a convencer os que recebem. Como exemplo tem-se o boato envolvendo o ex-presidente Lula em uma igreja católica, onde o padre teria interrompido a celebração ao notar a presença de Lula e dito que em sua igreja não entrava bandido. O responsável pela notícia falsa, compartilhada cerca de 65.000 vezes em redes sociais e no WhatsApp, é o site Sociedade Oculta, muito conhecido por suas notícias falsas.


A reportagem descrevia Padre José como um grande crítico da esquerda, apoiador da Lava-jato e do impeachment de Dilma. Ainda segundo esta, o mesmo dizia que todos que vão contra uma operação que tem como objetivo deter corruptos são inimigos da igreja. “Aqui na casa de Deus acolhemos todo mundo desde que se arrependa de seus atos, hoje está aqui presente um senhor condenado e que jura não ser culpado dos crimes que cometeu além de apoiar o socialismo, e são valores que não são bem vindos nessa santa igreja”. Logo em seguida, o ex-presidente, teria se assustado e saído do local desapontado. O dirigente da celebração segundo o site fez uma crítica as pessoas que vão à igreja para passar uma visão de que a instituição prega a mentira.


É perceptível a falsidade presente na notícia pela quantidade de erros que ela apresenta. Além disso, é notória a imprecisão da informação e a questão do acontecido não ser pautado por veículos de comunicação conhecidos e confiáveis. A notícia não informa o leitor onde a suposta missa teria ocorrido, o nome completo do padre e detalhes da instituição. Se o caso realmente fosse verídico, os meios de comunicação de massa teriam trabalhado em uma reprodução em escala. Por mais que o site em questão possua um caráter humorístico, muitas pessoas podem acabar se confundindo e serem enganadas.


É possível traçar um paralelo se tratando da intolerância religiosa e as Fake News, pois por meio da propagação dessas notícias falsas, no caso envolvendo a religião católica mas que poderia ser qualquer outra, a chance de uma menor aceitação e disseminação de preconceitos e estereótipos quanto as crenças é maior. Uma vez que, as pessoas constroem imagens da igreja como sendo promovedora de infâmias, julgamentos, conservadorismo e de opinião própria. Na notícia analisada, a instituição em questão é vista como defensora de partidos, que prega juízos de valor e opinião política. Se o boato ganha uma proporção maior e é levado a sério, a chance de haver uma dissipação de discursos de ódio por parte dos “intolerantes” é definitivamente imensurável.


A intolerância religiosa nasce de ideias injustos de membros da sociedade. É imprescindível que uma iniciativa seja tomada com urgência, profundidade e extensão. O respeito e a conscientização frente as manifestações religiosas é o ponto inicial. Como esse problema muitas vezes começa dentro de casa e assim vai para e escola e em seguida para a sociedade, a conciliação entre governo, comunidade e família é indispensável. O ministério da Educação juntamente com o Ministério da Cultura devem promover campanhas e eventos que defendam a liberdade religiosa, estimulando a criticidade sobre a questão, sendo assim, minimizando a intolerância, é possível almejar um pais mais justo e diversificado.


O papel da mídia é fundamental, deixando de lado seus pontos negativos e incentivando na divulgação e elaboração de campanhas que visem a importância de ser um indivíduo, mesmo que este não seja a favor, das religiões alheias. Notícias falsas sempre estarão presentes na internet e sendo compartilhadas por vários dispositivos, é necessário se atentar e não repassar conteúdos duvidosos que não só podem ser caluniosos mas também precursores de intransigências.


Referências bibliográficas


CRIOLA. Intolerância religiosa: e aí, o que faremos? 2017. Disponível em: http://criola.org.br/intolerancia-religiosa-e-ai-o-que-fazemos. Acesso em: 02/12/17.


NASSIF, Luís. Os grupos de mídia e o desrespeito às religiões. GGN, O jornal de todos os Brasis, 2015. Disponível em: https://jornalggn.com.br/noticia/os-grupos-de-midia-eo-desrespeito-as-religioes. Acesso em: 02/12/17.


SILVA, Rogério. Transformações do cristianismo brasileiro e o pentecostalismo católico. Universidade Católica de Pernambuco, Paralellus, 2010.


SOCIEDADE OCULTA. Padre interrompe missa ao notar presença de Lula “Na minha igreja não entra bandido”. 2017. Disponível em: http://www.sociedadeoculta.com/2017/10/18/padre-interrompe-missa-ao-notarpresenca-de-lula. Acesso em: 02/12/17.

Comentários


bottom of page