Nasce a Planta, Morre a Semente
- Intercomunicação

- 4 de jul. de 2018
- 2 min de leitura
Por: Geisa Borges

As mudanças nos impelem a aceitar as mortes que existem em cada nascimento. Mas não nos atentando à "funebridade" de um fim, mas entendendo que não é possível ter tudo vivo ao mesmo tempo. Isso provavelmente representaria o caos. Pode-se pensar, por exemplo, se todas as nossas memórias, sem nenhuma exceção, cada lembrança mínima de passo, gesto ou qualquer coisa, ficasse viva pra sempre. Isso seria no mínimo exaustivo. Muitas lembranças morrem, assim como muitos "eus” nossos morrem com o passar do tempo. Se tivéssemos que conciliar a menina (ou o menino) de 10 anos de idade que fomos, a(o) de 11, a(o) de 12, enfim, o indivíduo que dormiu ontem com o que acordou hoje, não posso dizer que seria um esforço hercúleo por me parecer totalmente impossível. Não digo manter a criança viva dentro de nós, isso me parece indispensável. Mas manter todos aqueles seres que fomos – integralmente – no que somos agora, provavelmente não caberia em nós. A morte cotidiana é indispensável à vida.
Quando nos direcionamos a mudanças de proporções consideráveis ou mesmo quando a vida é que nos impõe a mudança, às vezes acabamos nos jogando sobre aquele corpo – cujo sopro de vida se foi – e o seguramos firme, não o deixando ir embora. E não indo embora também. Percebemo-nos apegados às formas de viver com as quais estávamos acostumados. Há dificuldades em tratar como novo o que nasce, e o apego, fonte de certo sofrimento que acaba surgindo, parece difícil de morrer de morte morrida. Às vezes é preciso matá-lo. Para deixar nascer a saudade. Não como nossas falas saudosistas "no meu tempo é que era bom isso e aquilo", frequentemente romantizado. Mas a saudade com entendimento das fases da vida, compreensão de como aqueles bons momentos foram imprescindíveis para formar o que nos tornamos, bem como as dificuldades que os permearam. Simultaneamente, perceber as etapas que findaram e seguir em frente com a nossa essência. E, ao assumir esse lugar no mundo-nossa-história, trocar com presente. Dar ao hoje tudo que se pode oferecer a ele. Para que ele nos ofereça também tudo que possa.
Simultaneamente, perceber as etapas que findaram e seguir em frente com a nossa essência. E, ao assumir esse lugar no mundo-nossa-história, trocar com presente. Dar ao hoje tudo que se pode oferecer a ele. Para que ele nos ofereça também tudo que possa.




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