Saúde do homem, uma realidade a ser transformada
- Intercomunicação

- 1 de jul. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 4 de jul. de 2018
Por: viTOR ALVES COUTO CORREIA

É notório a ausência da procura de ajuda médica pelo sexo masculino. Uma consulta só é solicitada quando o problema agrava-se. Pode parecer que o homem não está preocupado com sua saúde, mas muitas vezes, este, enfrenta problemas como a timidez, o medo e a preocupação. Tomar uma injeção por exemplo, se torna algo assustador, podendo gerar traumas. Um exame de próstata, para muitos, afeta sua masculinidade. E assim, tem-se inúmeros casos que evitam o contato do homem com um médico para tratar de sua saúde.
Quando a situação envolve doenças sexualmente transmissíveis (DST) e problemas relacionados ao órgão genital masculino, a busca por um profissional é maior, uma vez que correm o risco da perda da ereção, além do medo de se tornarem impotentes e que se não tratada a doença, pode levar a óbito. Ter a vida sexual afetada também é um aspecto crucial, todavia, muitos optam por não usar preservativo durante as relações.
O agravamento de um câncer de próstata por exemplo, infelizmente pode estar relacionado ao machismo de homens que sentem sua masculinidade atingida por um simples exame que pode evitar problemas maiores. É muito comum ouvirmos falar “Não vou fazer esse exame de jeito nenhum” ou “Isso é bobagem” ou “Eu sou homem de verdade, não faço isso”. Essas frases que evidenciam atitudes machistas, são ditas de geração para geração e dificultam a busca por um tratamento ou forma de prevenção. No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens e o sexto mais comum no mundo.
Ademais, é lugar comum a assertiva de que o homem procura ajuda médica somente em situações agravantes, como na urgência de um infarto, que os obrigam a buscar socorro. Um levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo mostra que 70% das pessoas do sexo masculino que procuram um consultório médico tiveram a influência da mulher ou dos filhos. Além disso, a pesquisa mostra que mais da metade desses pacientes adiaram a ida ao médico e já chegaram com doenças em estágio avançado.
Para mais, além de consultas médicas regulares, a adoção de hábitos saudáveis é fundamental, como também praticar atividade física, possuir uma alimentação balanceada podem diminuir estes agravos, talvez evitáveis. A identificação precoce de doenças aumenta significativamente as chances de um tratamento eficaz. Por isso, deve fazer parte da rotina dos homens a realização de alguns exames. A portaria Nº 1.944, de 27 de agosto de 2009, institui no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, para promover ações que contribuam na compreensão da realidade masculina e possibilitar um melhor acolhimento por parte do sistema.
Ficar atento ao próprio corpo e aos sinais que ele nos passa é muito importante para identificar sintomas, é um cuidado diário. É preciso chamar atenção para esse auto cuidado. Quebrar tabus, preconceitos, buscar conhecimento e ajuda de profissionais que possam dar o auxílio necessário, é fundamental para mudar a cultura do homem de não preocupar-se com sua saúde.
Referências bibliográficas
INCA. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Tipos de Câncer. Próstata. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/prostata>. Acesso em: 12/10/2017.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria Nº 1.944, de 27 de agosto de 2009. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2009/prt1944_27_08_2009.html>. Acesso em: 12/10/2017.
O TEMPO. Maioria dos homens só procura o médico por influência da mulher ou de filhos, revela pesquisa. A redação. 2013. Disponível em: <http://www.otempo.com.br/capa/brasil/maioria-dos-homenss%C3%B3-procura-o-m%C3%A9dico-por-influ%C3%AAncia-da-mulher-ou-de-filhos-revelapesquisa-1.676544>. Acesso em: 12/10/2017.

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